Um dos problemas mais comuns em sociedades urbanas ocidentais é a prisāo de ventre. Apesar de ser algo extremamente desconfortável, as pessoas acabam se acostumando com essa qualidade de vida ruim. Se você não passa por isso, certamente conhece alguém que passa, correto? Mas será que o papel do intestino é apenas este: excretar boa parte do que nosso organismo absorve?

Nosso intestino precisa ser bem tratado e muito bem tratado! , pois é responsável por produzir mais de 90% da serotonina do corpo. O intestino é um neurotransmissor do bem-estar, além de participar da síntese de outros reguladores, como a melatonina, o hormônio do sono. Apesar de soar como novidade para muita gente, o protagonismo do intestino não surpreende algumas pessoas já há bastante tempo. Em 1998, o pesquisador Michael D. Gershon, especialista em neurogastroenterologia da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, publicou o livro O Segundo Cérebro. O médico americano confirmou que o intestino tem seu próprio sistema nervoso autônomo, com uma rede de 100 milhões de neurônios, que, por sua vez, liberam substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre as células nervosas.

Dr. Hélion Póvoa, um dos maiores especialistas na área de nutrição e bioquímica do país, esclarece em seu livro “O Cérebro Desconhecido, sobre as potencialidades terapêuticas do órgão. “Teorias científicas acreditam que o homem, durante o seu longo processo de evolução, desenvolveu dois cérebros: um na cabeça, que lhe permitia encontrar meios de sobrevivência e garantir a reprodução da espécie, e o intestino, que ficaria responsável pelos processos vitais de digerir e absorver alimentos.

O intestino é um órgāo de extrema importância para nossa saúde. Trata-se de uma estrutura tāo complexa que pode ser considerado um organismo dentro do próprio organismo. “Além de funções primordiais como digestāo, absorçāo e excreçāo, devemos nos lembrar que, assim como a nossa pele, o intestino é um órgāo em contato direto com o meio externo. Por isso, possui funções muito especiais e por vezes desconhecidas como defesa imunológica, tolerância imunológica (processo que evita desenvolvimento de alergia) e inibiçāo de processos inflamatórios, explica Mariana Deboni, médica especialista em gastroenterologia pediátrica pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Nossos dois cérebros

Sim, o intestino pode, de fato, ser considerado nosso segundo cérebro. “Essa expressāo vem sendo utilizada muito frequentemente nos últimos anos. Isso ocorre porque o intestino possui um sistema nervoso próprio, denominado sistema nervoso entérico. Ele se conecta por uma vasta rede de neurônios, hormônios e neurotransmissores com o nosso cérebro. Essa comunicaçāo ocorre nos dois sentidos. Através dele é possível controlar a digestāo dos alimentos e a composiçāo da microbiota intestinal. Quando a comunicaçāo ocorre no sentido inverso (do cérebro para o intestino), podemos sentir o famoso frio na barriga, aumento do apetite ou anorexia quando estamos ansiosos e diarreia quando estamos com medo de algo, afirma a especialista.

Cuidando bem do intestino

Cuidar bem do intestino é essencial. Devemos ingerir uma dieta equilibrada contendo de forma proporcional todos os grupos alimentares (proteínas, carboidratos e lipídeos), e evitar consumo excessivo de produtos industrializados ou refinados. A nutricionista Silvia Messalem ressalta que devemos, diariamente, dar preferência para os alimentos in natura como frutas, legumes, verduras, leguminosas, incluir os grãos integrais e as fibras, boas fontes de proteínas, consumir alguma fonte de probiótico, gorduras mono e poli-insaturadas.

A água também tem papel importante no funcionamento do intestino. Silvia reforça que a água tem o papel de regular muitas funções do organismo. “As fibras absorvem água para dentro do intestino, hidratando as fezes e fazendo com que aumentem de volume, o que colabora com os movimentos peristálticos, fazendo com que a saída das fezes seja facilitada devido ao aumento de tamanho. Uma das razões da prisão de ventre é a falta de água e muitas vezes a falta das fibras também. Uma vez que o intestino absorve água das fezes, é necessário que o líquido seja sempre reposto, para que as paredes intestinais estejam sempre lubrificadas. O ideal é que todos os dias ao acordar, ainda em jejum, seja consumido 1 copo de pelo menos 300 ml de água, para garantir a hidratação da parte gástrica e intestinal, antes que se consuma qualquer alimento ou outro líquido.

As bactérias boas, também conhecidas como probióticos, também contribuem com a saúde do intestino, e podem ser encontradas em queijos, leites e outros alimentos fermentados. Os lactobacilos e as bifidobactérias contribuem para a restauração do estado inflamatório do intestino, aumentam a capacidade antioxidante, colaboram com a melhor absorção dos nutrientes e ajudam no combate à obesidade. Também atuam para aumentar a imunidade e diminuir a incidência de alergias, afirma a nutricionista. “As bactérias boas equilibram a microbiota intestinal, pois quando chegam vivas no intestino grosso, auxiliam no desenvolvimento de uma microbiota intestinal saudável, que influencia diretamente na saúde do indivíduo, lembra Dra. Mariana.

Para a médica, outros dois pontos importantes são evitar o uso indiscriminado de antibióticos, já que eles podem modificar nossa microbiota intestinal, e a prática de exercícios físicos. A atividade física ajuda na motilidade intestinal, ou seja, facilita o trânsito do nosso aparelho digestivo. Para exemplificar sua importância, Dra. Mariana conta que podemos fazer um paralelo com pessoas que se encontram cronicamente acamadas. Nesses indivíduos, o principal problema é a prisāo de ventre com necessidade de uso de laxantes para que se obtenha evacuaçāo satisfatória. A partir daí fica mais fácil entender a importância de se movimentar e praticar exercícios físicos.

Para quem negligencia seu intestino, os problemas podem ser vários, desde dor e distensāo abdominal, fissuras anais, hemorróidas, até, após alguns anos, doença diverticular do cólon. “Outro problema frequente é a síndrome do intestino irritável, um transtorno funcional que pode causar sintomas como diarréia intercalada com constipaçāo, dor abdominal e flatulência, conta a médica.

Uma das causas do intestino irritável é a ingestão de glúten. Para pessoas que tem restrição a ele, a Wickbold lançou os pães Sem Glúten. Para ver onde encontrar e conhecer melhor os dois produtos da linha, acesse aqui.