Você certamente já ouviu falar a expressão “rir é o melhor remédio” ou aquela “quem ri mais, vive mais”, não é mesmo? Será que são verdadeiras?

Desde a década de 60, o médico americano Hunter “Patch” Adams (http://www.patchadams.org) vem utilizando com sucesso o riso, o cuidado e o amor como agentes de cura. A risada se tornou, para seus pacientes, um instrumento terapêutico eficiente que favorece a recuperação e a cura. Hipócrates, o Pai da Medicina, já utilizava animações e brincadeiras na recuperação de pacientes no século IV a.C. Na década de 80, o médico e psicanalista Frans Alexander, do Instituto de Psicanálise de Chicago, nos EUA, concluiu em suas pesquisas que “o caráter libertador do riso é um meio de se extravasar as tensões e de se evitar as doenças psicossomáticas”. Na Índia, algumas empresas criaram a “sessão do riso”, que acontece antes do início da jornada de trabalho. O resultado? Um aumento considerável na produção em virtude do bem-estar físico e emocional dos trabalhadores.

Médicos, cientistas e psicólogos são unânimes: o riso é ótimo para a saúde, pois é capaz de atenuar o estresse, liberando substâncias benéficas para todas as células do organismo. Segundo Eduardo Lambert, clínico geral, homeopata e autor do livro “A terapia do riso: a cura pela alegria”, o sorriso e o riso ativam e desencadeiam a produção de hormônios chamados “endorfinas”, que são os mesmos produzidos quando fazemos exercícios e caminhadas (principalmente ao ar livre). Essas substâncias já são chamadas de “hormônios da alegria e da felicidade”, pois geram um grande bem-estar mental, físico e espiritual. “A Risoterapia é uma terapia bilateral, que envolve a comunicação consigo mesmo e com o outro. É benéfica para quem dá e para quem recebe. É de graça e indicada para as pessoas de qualquer idade e sexo. Quando sorrimos, fazemos bem até para os animais e para as plantas”, afirma em seu livro.

Feche os olhos e imagine (ou lembre-se) de alguém sorrindo para você? Instintivamente, sua tendência é sorrir também, e nos sentimos bem ao fazer isso. Muito mais do que uma manifestação de felicidade, o riso e suas variações emanam conforto, revelam-se como uma verdadeira terapia para o corpo e o espírito.

Um exemplo muito bem-sucedido do riso e suas variações terapêuticas são os já super conhecidos Doutores da Alegria https://www.doutoresdaalegria.org.br, verdadeiros mestres em usar o riso, o bom humor e as emoções positivas no tratamento de crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade e risco social. Desde 1991, os palhaços já realizaram mais de 1 milhão de visitas a crianças hospitalizadas, seus acompanhantes e profissionais de saúde. O trabalho acontece hoje em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife e é mantido por doações de empresas e pessoas.

25 anos um trabalho parecido acontece na França, com o projeto Le Rire Mèdecin (https://www.leriremedecin.org): “Na França, uma em cada duas crianças é hospitalizada antes dos 15 anos. Para essas crianças e seus pais, ficar em um hospital ou mesmo horas na emergência é, muitas vezes, sinônimo de ansiedade, solidão e angústia. Quer seja uma pequena ferida ou doenças muito graves, The Laugh Doctor está presente para todas as crianças doentes e hospitalizadas. Os atores palhaços restauraram o mundo da infância em um lugar onde a alegria parecia ter ido embora. Palhaços restauram a harmonia: a criança ri, joga, comete erros, brinca… Sob o olhar cúmplice de seus pais e de sua família, a criança hospitalizada encontra em palhaços o seu direito de ser uma criança antes de ser um paciente”.

Tipos de risos e sorrisos

Risos e sorrisos nos “entregam” facilmente, ou seja, revelam nossos sentimentos muito rapidamente. Basta nosso interlocutor olhar para nós e, pronto, ele já sabe como estamos nos sentindo. Dr. Eduardo Lambert explica que existem vários tipos de risos e sorrisos. Abaixo, alguns exemplos positivos que devem ser praticados no dia a dia:

Sorriso de apoio: é dado em formaturas, aniversários e outras ocasiões dignas de comemoração. Vem acompanhado de um balançar vertical da cabeça e serve para dar confiança e motivação.

Sorriso alegre: faz com que se levantem os cantos da boca, ergam-se as bochechas e as pálpebras fiquem semicerradas. Serve para despertar alegria.

Sorriso amigo: tão bom para se livrar das aflições, que pode ser acompanhado de um sacudir de ombros e de um tapinha nas costas. É um sorriso consolador, útil e bom para levantar o astral.

Sorriso aberto: (tipo ha! ha! ha!), em geral, próprio de pessoas extrovertidas, amigas, leais. Serve para abrir o coração, para despertar a amizade, a simpatia.

Sorriso animador: é propício para quando estamos em desalento ou quando é preciso despertar em nós ou nos outros o ânimo e a alegria de viver.

Sorriso relaxante: é calmo, suave. É próprio de pessoas tranquilas. Serve para descontrair e inspirar serenidade.

Sorriso verdadeiro: é demorado, simétrico, provocando rugas nas pálpebras. Instala-se gradualmente e se vai lentamente, despertando sinceridade e confiança.

Sorriso cordial: vem acompanhado de um levantar de sobrancelhas. Inspira polidez e demonstra boa educação.

Sorriso discreto: geralmente próprio de pessoas requintadas, dá a quem sorri um ar de classe e sofisticação.

Sorriso quebra-gelo: serve para romper o silêncio, para vencer obstáculos, iniciar um assunto e estimular o relacionamento entre as pessoas.

Riso infantil: desperta a criança interior, nosso eu emocional.

Riso solto: é tão contagiante que há pessoas que chegam a molhar as calças de tanto rir.

Riso constante: é próprio da pessoa que está sempre contente, irradiando satisfação, otimismo e demonstrando força de caráter.

Riso ousado: próprio de pessoas altivas e corajosas, desperta a coragem e a ousadia.

Riso contagiante ou vibrante: comum em pessoas emotivas e otimistas. Desperta o positivismo, a alegria e a vontade de rir também.

E você, já deu uma boa risada hoje ou fez alguém sorrir?