Comer um pouco de tudo, em pequenas porções. A receita de bom senso soa revolucionária, diante de tantas dietas restritivas e modismos que transformam alimentos em mocinhos e vilões. Pois manter a boa forma sem abrir mão do prazer de comer é o tema do livro Boca Livre (Arquipélago Editorial), em que a autora, a jornalista de nutrição Patrícia Julianelli, desvia de clichês e de regras titânicas e oferece um caminho possível para uma relação mais saudável com a “comida de verdade” – aquela que é, ao mesmo tempo nutritiva e saborosa.

“Não basta conhecer a fundo os alimentos, decorar calorias e valores nutricionais. É preciso autoconhecimento para fazer boas escolhas alimentares”, defende Patrícia. O autoconhecimento a que ela se refere tem a ver com desenvolver a noção dos próprios limites e fragilidades, para resistir às tentações e não mentir para si mesmo. Por exemplo: saber se pode ou não ter doces em casa, identificar se eles são frequentemente uma válvula de escape para problemas rotineiros ou carências. “Assim, deixamos de comer problemas”, diz a jornalista, redatora-chefe da revista Runner’s World. Ela decidiu abordar o tema em livro ao perceber, escrevendo uma coluna de nutrição, o quanto os leitores andavam atormentados com dietas proibitivas.

Não é necessário fazer cortes drásticos no cardápio. Para manter cada grupo alimentar na quantidade certa, ela sugere diminuir a ingestão de carboidratos simples, que são mais engordativos, e combiná-los sempre com uma proteína, que auxilia na saciedade. Outra dica é privilegiar os produtos naturais e integrais e reduzir o consumo de processados, substituindo, por exemplo, uma barra de cereais por um punhado de castanhas frescas. É indicado abrir pequenas exceções alimentares no fim de semana. “Afinal, não comemos apenas para sobreviver. Comemos por prazer”, diz Patrícia. O segredo também está em desenvolver uma rotina prazerosa de exercícios físicos, sem esquecer da receitinha básica para manter o corpo no lugar: comer de tudo. Só que, de tudo, “um pouco”.