Quem vê Marta Vieira da Silva, a Marta, eleita como a melhor jogadora de futebol do mundo por cinco vezes, não faz ideia do caminho percorrido pelo sexo feminino ao longo da história do esporte. O fato é, que para conquistar seu espaço nos estádios para torcer, jogar ou apitar, a mulher enfrentou muitas barreiras e preconceitos até finalmente provar que futebol também é a sua praia.

Os primeiros registros de mulheres jogando futebol sob as regras que conhecemos hoje são datados de 1892, em Glasgow, na Escócia. O país, aliás, protagonizou junto com a Inglaterra, a primeira partida disputada exclusivamente por mulheres em 1898, em Londres.  Já aqui no Brasil a primeira partida de futebol feminino aconteceu em 1921. As participantes eram dos bairros de Tremembé e Cantareira, da zona norte de São Paulo. Muitos anos depois, em 1958, surgiu em Minas Gerais o primeiro time estrelado por mulheres: o Araguari Atlético Clube. Alguns estudiosos afirmam que antes disso, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, já existiam brasileiras praticando o esporte. Na época, as partidas eram esporádicas e aconteciam em caráter festivo ou beneficente.

Infelizmente, entre os anos de 1941 e 1979 vigorou um decreto-lei que proibiu a participação do sexo feminino no futebol. A justificativa era a de que o esporte deixaria as mulheres masculinizadas e sem capacidade de terem filhos. A regra valia para o futebol, de campo ou de salão, e para outros esportes como pólo, halterofilismo e lutas de qualquer natureza.  Mas, assim que a lei foi revogada, começaram a surgir vários times e ligas pelo país. Uma das equipes mais famosas foi o Esporte Clube Radar, que surgiu em 1981. O time carioca fez história e era praticamente invencível, pois venceu 66 de 71 partidas disputadas.

A primeira Copa do Mundo feminina surgiu apenas em 1991, na China. Poucos anos depois, em 1996, a modalidade foi incluída nas Olimpíadas de Atlanta, onde o Brasil conquistou o 4º lugar. Em Sidney, nosso time feminino obteve o mesmo resultado. Já em Atenas e Pequim as brasileiras conseguiram a medalha de prata. Nos Jogos Pan Americanos, o time feminino foi ouro em Santo Domingo e aqui no Brasil, em 2007.  No mesmo ano, foi criada a Copa do Brasil de Futebol Feminina.

E, mesmo com tanto talento com a bola nos pés, o futebol feminino ainda é visto com desdém pela maior parte da sociedade. Falta visibilidade por parte das mídias, salários justos e patrocínios para as jogadoras profissionais, o que faz com que algumas transmissões sejam realizadas exclusivamente pela internet. Mas, isso deve mudar em breve com uma mudança recente no Regulamento de Licença dos Clubes de 2017 da CBF, Confederação Brasileira de Futebol. Todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro masculino precisam montar ou se associar a times femininos ainda em 2018. Do contrário, correm risco de serem excluídos de grandes competições como a Libertadores da América e a Copa Sul Americana.

Por Thamyê Bloes