Quem se preocupa em manter uma alimentação saudável sabe a importância que os legumes e as verduras frescas possuem na dieta. E ter acesso a esses alimentos sem impactar o meio ambiente também deve ser uma preocupação constante, pois a maneira com que nos alimentamos causa reflexos na saúde do planeta. Pensando nisso surgiram as hortas sociais ou comunitárias.

Muitas dessas hortas vem da ONG Cidades Sem Fome, que nasceu em 2004 na cidade de São Paulo, para desenvolver projetos de agricultura sustentável baseados nos princípios da produção orgânica. A organização não governamental desenvolve projetos de hortas comunitárias, escolares e estufas agrícolas utilizando espaços, áreas públicas e particulares precárias que não possuem uma destinação específica. O objetivo da ONG é criar oportunidades de trabalho para pessoas em vulnerabilidade social e melhorar a situação alimentar e nutricional de crianças e adultos.

Abaixo, algumas imagens das hortas comunitárias e escolares da ONG Cidades Sem Fome:

(Imagens de divulgação cedidas pela própria ONG)

Os produtos das hortas comunitárias são comercializados local e regionalmente. Já os alimentos das hortas escolares vão para a merenda da escola. Se tiver excedente, as crianças levam para suas casas. “É nosso objetivo combater a desnutrição e melhorar a qualidade de vida das comunidades, uma vez que buscamos viabilizar o acesso a alimentos saudáveis e nutritivos, além de trazer benefícios de caráter ambiental para essa população”, conta Hans Dieter Temp, fundador da ONG.

“Ao criar possibilidades para gerar renda de forma autônoma e promover capacitação profissional, o projeto fornece instrumentos que também viabilizam o rompimento com o ciclo assistencialista a que diversas famílias se submetem devido à falta de alternativas para que se desenvolvam de forma digna”, afirma Hans, que, em 2013, recebeu o título de Empreendedor Social Changemaker pela Ashoka. A ONG Cidades Sem Fome tambem recebeu vários prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio Finep 2011 para Inovações Tecnológicas, o Dubai International Award for Best Practices 2010 (UN-HABITAT) e o prêmio AEA de Meio Ambiente 2009. Hoje, a organização conta com 6 funcionários em São Paulo e 3 em Berlim, na Alemanha.

Hortas sociais mundo afora

Fora do Brasil, as hortas sociais também estão revolucionando a maneira como nos alimentamos, enxergamos nossa comida e as pessoas à nossa volta. Na cidade de Hamilton, no Canadá, um menino de apenas 10 anos cultiva orgânicos para ajudar famílias carentes da região. O Oliver’s Garden Project começou em 2011 quando Oliver tinha 6 anos e sua irmã, Piper, apenas 5. “Certo dia, Oliver viu duas crianças remexendo os latões de lixo reciclável na vizinhança e me perguntou por que eles faziam aquilo. Expliquei que eles provavelmente estavam à procura de latas e garrafas para vender e ter dinheiro. Oliver ficou inconformado com essa resposta e me convenceu que o dinheiro da horta que cultivávamos, e que seria usado numa viagem da família, deveria ir para as crianças da comunidade que precisavam de ajuda”, conta Stacey, mãe de Oliver e Piper.

A comunidade ficou sabendo o que os irmãos estavam construindo e o jornal local começou a falar a respeito. Em 2012, o projeto de Oliver foi inscrito e venceu um concurso de uma revista sobre hortas orgânicas. Com o dinheiro do prêmio, Oliver cultivou hortas para cinco famílias, sediou workshops e aumentou o número de legumes cultivados, além de ter organizado um café da manhã para arrecadar dinheiro para o projeto.

Um ano mais tarde, o projeto venceu outro concurso, que permitiu que Oliver criasse um programa escolar para que mais de cem crianças aprendessem a plantar seu próprio alimento usando a estufa da escola, além de ensiná-las a criar receitas saudáveis. O Oliver’s Garden Project já desenvolveu também uma horta na escola onde os irmãos estudam e já doaram recursos vegetais para programas assistenciais do Canadá, como Food4Kids e Neighbour2Neighbour. “Não cultivamos apenas vegetais. Cultivamos adultos”, resume Stacey.

Conheça mais sobre o projeto incrível do pequeno Oliver aqui.