Explorar as possibilidades da música como instrumento de inclusão social é papel de todo educador musical, não que isso seja uma tarefa fácil. “Será que os professores de música têm preparação pedagógica para lidar com esses alunos? Será que os cursos de capacitação de professores abordam a inclusão de pessoas com deficiência também nas matérias de artes?”, já se perguntava Viviane Louro, educadora musical, há bastante tempo.

Pianista de formação, em determinado momento Viviane cansou do que fazia, resolveu fazer um mestrado e começou a estudar o assunto. Se apaixonou e não largou mais a área. Pesquisa educação musical e inclusão há 17 anos, já publicou 5 livros na área de música e inclusão todos referência na área de formação de professores em universidades ao redor do país. Hoje trabalha como professora no Departamento de Música da Universidade Federal de Pernambuco e está terminando seu Doutorado em Neurociência na Unifesp (SP) com uma pesquisa sobre música e autismo.  

“Uma escola e um professor de música devem estar aptos para atender qualquer pessoa, qualquer público: pessoas de idade, pessoas com deficiência, pessoas carentes, pessoas com transtornos mentais, com outra cultura etc. Aqui no Brasil, a questão da inclusão ficou muito vinculada à deficiência, que de fato é o trabalho que eu faço. Trabalho com todos os públicos, pessoas com deficiências diversas e até transtornos mentais”, explica a professora.

Viviane explica que estudar música traz os mesmos benefícios para uma pessoa com e sem deficiência. “A diferença é que, no caso de pessoas com deficiência, seja ela qual for, o ganho é muito mais evidente. A música exige ativação de todas as regiões do cérebro, por isso é grande promotora de plasticidade cerebral, tanto que quem estuda música geralmente tem o QI maior”, comenta. Um exemplo: a música trabalha memória, então quem estuda música tem uma memória melhor.

Muitas pessoas podem confundir o trabalho de Viviane com musicoterapia. Qual a diferença, então? “Meu trabalho é pedagógico, dou aula de música para pessoas com qualquer tipo de deficiência. O musicoterapeuta traça uma meta terapêutica (por exemplo, ajudar a criança a falar melhor) e vai usar a música para atingir este objetivo. Não tem o aprendizado da música. O meu trabalho é de aprendizagem, ou seja, dou aula de música para que este aluno entenda os elementos da música, saiba ler partituras e toque um instrumento musical. Meu trabalho também é muito voltado para psicomotricidade, área que conversa com a Neurociência. Tem a ver com a mente e o corpo trabalhando juntos a favor do aprendizado”, explica Viviane.

Quais seriam, então, as vantagens para este público aprender música? A educadora explica que autistas e pessoas com outros transtornos psiquiátricos às vezes têm dificuldade em aprender outras questões, mas como a música é mais lúdica e emocional, ela consegue acionar melhor essas pessoas e fazer com que elas desenvolvam habilidades que, em outras matérias, elas muitas vezes não conseguem.  Aprender música ajuda demais: melhora a memória, a concentração, a atenção, o aprendizado, o raciocínio lógico e abstrato, a coordenação motora, e ajuda a disciplinar o aluno.

Quer conhecer melhor o projeto lindo de Viviane Louro? Acesse https://musicaeinclusao.wordpress.com