Na cultura ocidental, a Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes. E não porque você tem uma desculpa deliciosa para se entupir de chocolate…

Sabia que a Páscoa tem sua origem mais remota no Pessach judeu, que comemora a libertação do povo hebreu de seu cativeiro no Egito?

Entre os cristãos, a data comemorava a ressureição de Jesus Cristo e encerra a semana anterior, chamada de Semana Santa. De acordo com o calendário cristão, as comemorações referentes à Páscoa se iniciam na Sexta-Feira Santa – quando é celebrada a crucificação e morte de Jesus –, e termina no Domingo de Páscoa, data que celebra quando Jesus ressuscitou e apareceu para seus discípulos.

A Páscoa e seus símbolos representativos

Já ouviu falar que o coelho se reproduz muito rapidamente? Justamente por representar a fertilidade e a esperança de uma nova vida – aspectos relacionados à Páscoa –, é que o coelho se tornou um dos principais símbolos do feriado, significando a fecundidade e o ressurgimento da vida. O ovo, por sua vez, representa o começo da vida além de, antigamente, representar a forma do universo. O ovo passou a fazer parte da comemoração da Páscoa no século XII.

No Brasil, as crianças montam seus próprios ninhos com o intuito de que o coelho venha e deposite ali seus ovinhos. A lenda, entretanto, vem da Alemanha, e chegou ao Brasil no início do século passado. A caça ao ovo também acontece com frequência para deixar as crianças felizes e animadas!

A tradição da Páscoa nas diferentes regiões do Brasil

Sul

No Paraná, imigrantes e descendentes ucranianos fazem a paska, um pão caseiro que deve receber uma benção na primeira missa do domingo. Outra tradição são as pêssankas, ovos decorados à mão. Os traços desenhados significam bons desejos para o presenteado.

Na cidade de Ivoti, no Rio Grande do Sul, cães e gatos são pintados de azul ou cor-de-rosa para anunciar às crianças que a época mais doce do ano está se aproximando. Também por causa da forte influência alemã, a cidade fica cheia de ninhos com ovos de chocolate. Já em Pejuçara, também no interior do Rio Grande do Sul, os 4 mil habitantes têm orgulho de confeccionar tapetes de fuxicos que serão estendidos dentro das igrejas e nas ruas do centro da cidade.

A Páscoa em Pomerode, a “cidade mais alemã do Brasil”, tem até um nome germânico. A Osterfest dura um mês. Uma serenata é organizada na madrugada do sábado para o domingo de Páscoa.

Sudeste

A tradição da malhação de Judas foi trazida pelos portugueses para toda a América Latina e consiste em bater num boneco forrado de serragem pelas ruas e depois atear fogo a ele. Nos relatos bíblicos, Judas Iscariotes, que integrava o grupo de apóstolos de Jesus, foi o responsável por entregar Cristo aos soldados que o levaram para ser crucificado. Judas indicou Jesus com um beijo no rosto. Pela traição, o apóstolo recebeu 30 moedas de ouro. A passagem bíblica marca um dos maiores casos de traição da história da humanidade e, por isso, faz os cristãos, anos após ano, reviverem a cena. Em São Paulo, o ponto de maior concentração é a Rua Lavapés, no bairro do Cambuci, onde a malhação é realizada desde 1937. Essa tradição também se mantém firme em Maceió, no Nordeste no país.

A comunidade grega, que se concetra principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, costuma pintar ovos cozidos de vermelho. Depois de decorados, duas pessoas fazem um desafio. Cada uma pega um ovo, faz um pedido e batem um contra o outro. Aquela que conservar o ovo intacto tem o desejo realizado.

A história dos tapetes de flores em Ouro Preto começou em 1733, ano da reinauguração da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Os tapetes cobrem os três quilômetros da procissão e os desenhos são feitos com serragem colorida, flores, areia e palha. Fazem a alegria de turistas e moradores da cidade que se reúnem para enaltecer a tradição que se renova há séculos.

Centro-Oeste

Em Pirenópolis, na Semana Santa, as ruas do centro histórico e os casarões do século XVIII são palco das encenações dos rituais da morte e da ressurreição de Cristo. O destaque fica por conta das belas imagens e dos paramentos usados pelos fiéis nas procissões.

Na Cidade de Goiás, acontece anualmente a Procissão do Fogaréu, tradição que nasceu na Espanha e em Portugal e foi trazida pelo padre espanhol João Perestelo Espíndola. O ritual começou em 1745 e revive a paixão e morte de Jesus Cristo. Cerca de 20 mil pessoas chegam a participar. À meia-noite de quinta para sexta-feira, 500 homens chamados de farricocos saem em procissão com tochas, acompanhados por sons de tambores. A cidade fica completamente às escuras. O ritual representava a penitência e condenação pública de pecadores, e depois se transformou em uma festa que lembra a prisão de Cristo.

Nordeste

Três pratos são muito tradicionais na Páscoa do Nordeste. O primeiro deles é o quibebe, um tipo de purê de jerimum, consumido na Sexta-feira Santa. O segundo é o arroz de coco (cozido com leite de coco). E o mais emblemático é o feijão de coco, servido em forma de um caldo bem grosso.

Em Brejo da Madre de Deus, na Fazenda Nova, acontece uma representação da Paixão de Cristo que é considerada o maior espetáculo ao ar livre do mundo. São 100 mil m² cercados por uma muralha de pedra de granito de 4 metros de altura, num cenário que é uma reprodução parcial da Jerusalém dos dias de Cristo.

A mais famosa Procissão do Fogaréu baiana tem lugar em Serrinha. Ela é realizada desde 1930 e foi transformada em Patrimônio Histórico Imaterial da Bahia. Cerca de 30 mil fiéis sobem a colina de Nossa Senhora Santana, o  ponto mais alto da cidade, com velas e tochas.

Norte

A Procissão do Senhor Morto é realizada por todo o país. O Cristo morto é carregado em procissão. Durante a caminhada, as pessoas que têm algum problema de saúde medem a parte do corpo de Cristo relativa à doença com um pedaço de barbante. Por exemplo: quem está com dores na perna mede a perna. Depois, esse barbante deve ser amarrado em qualquer parte do corpo. Em Belém, a procissão sai da Catedral da Sé em direção à Igreja de São João, com as imagens de Nosso Senhor Morto e de Nossa Senhora das Dores percorrendo as ruas do centro histórico.

Em Barcarena, há a mais famosa encenação da Paixão de Cristo da região Norte. Foi construída uma cidade cenográfica para receber os 130 atores e 200 figurantes que apresentam o espetáculo agora chamado de “Paixão da Amazônia”.