Depois de passar até seis meses grudadinhos com o filhote, chega aquele momento importante — e, na maioria das vezes, dolorido — para as novas mamães: voltar para a rotina de trabalho e se separar da criança por algumas horas por dia. Conversamos com especialistas para entender a melhor maneira de fazer essa adaptação para mãe e filho e trazer mais tranquilidade à família.

A psicanalista e orientadora familiar e educacional Alessandra Mazzotta orienta que, antes de mais nada, a mãe compreenda por que tem que deixar a criança — se é por causa do trabalho, de algum curso, enfim, a parte prática. Isso irá ajudar a diminuir a tensão e a insegurança, sentimentos comuns nas mães nesse período.

Confira abaixo um passo a passo que pode ajudar as mães a encararem a volta para o trabalho com mais tranquilidade nessa nova fase:

1. Acredite em você como mãe e na capacidade de desenvolvimento do seu filho, ainda que ele seja apenas um bebê. O pediatra e psicanalista inglês Winnicott dizia que mãe boa é aquela que é suficientemente boa, não precisa ser perfeita. “Essa mãe é aquela que acredita que desde cedo o bebê tem capacidade de se desenvolver e se sustentar — claro, com a ajuda de um adulto. Quando ela diz ‘A mamãe vai, mas volta’, ela tem que realmente acreditar nisso. Se ela se sentir culpada, isso pode ter reflexos negativos lá na frente”, explica Alessandra.

2. A mãe deve fazer sua escolha de onde deixar a criança enquanto se ausenta: escola, babá ou avó, por exemplo. O importante aqui é que ela esteja muito segura quanto à escolha que fará. A segurança dessa decisão irá refletir nas crianças, que percebem tudo e são muito sensíveis.

3. Com essa escolha feita, chega o momento da adaptação na escola. Essa adaptação deve ser feita de modo gradual e sempre com acompanhamento de um dos pais ou responsável. É importante que a criança saiba que existe alguém ali por perto que ela reconhece, especialmente nos primeiros dias. Outro ponto importante é a parceria com a escola ou a babá. O diálogo e a troca de informações constantes é fundamental para que a mãe se sinta confortável e tranquila para voltar ao trabalho.

4. A mãe deve poder exteriorizar o que sente e não se sentir constrangida em compartilhar seus temores até a criança construir novos vínculos nesse novo espaço. Para a pedagoga e coordenadora de educação infantil da Escola Bakhita, em São Paulo, Cristiane Vieira, as emoções da mãe nesse momento são absolutamente legítimas e não devem ser ignoradas. “A escola deve escutar as mães que estão com os filhos em adaptação para entender o que se passa na cabeça delas, o que as aflige, do que elas têm medo. Assim, respondendo às questões delas, elas naturalmente se acalmarão”, afirma a pedagoga.

A chave dessa nova fase é paciência. Voltar ao trabalho e encarar uma nova rotina é um processo que exige tempo e respeito. Com calma e tranquilidade, o novo ciclo tem tudo para ser de grandes alegrias para a família toda.